Artigos - Entendendo a nossa paisagem urbana.
Thumb_2020 Sex, 20 de Março de 2015, 18:22:10

Entendendo a nossa paisagem urbana.

Os Planos Diretores das cidades brasileiras têm como objetivo principal a criação de um Modelo Espacial Urbano que será o norteador geral, tanto da estratégia de ocupação territorial das mesmas, como das políticas de infraestrutura urbana, de saneamento, de educação, saúde, e demais políticas públicas. Através de um macrozoneamento urbano, se define para onde se quer incentivar o crescimento da cidade, e onde se quer coibi-lo, tudo isto através de indicadores que determinam o potencial construtivo máximo de cada terreno, alturas máximas, recuos entre edificações, densidade populacional, entre outros. Através destes parâmetros fixados, fica claro aonde se deve investir mais em infraestrutura, para atendimento da demanda populacional, onde os equipamentos urbanos estão saturados, tornando-se assim um poderoso instrumento de gestão do ambiente urbano.

Como a cidade é um organismo vivo, periodicamente esta legislação é revista através de conselhos que mesclam diversos setores da cidade, de forma a pensarem juntos nos planos a serem desenvolvidos para o futuro do município em que habitam. É neste ponto que muitas Prefeituras acabam cedendo e se adequando a pressões políticas, pessoais e de classes acima dos interesses da sociedade em geral. Desta forma, muitas vezes as alterações em cada zona sofrem bruscas transformações da noite pro dia, ao invés de alterações graduais e normais para um crescimento populacional planejado.

Outra questão importante de se frisar é o impacto da legislação municipal na volumetria das cidades brasileiras. O modelo espacial urbano criado para a maioria das cidades exige recuos entre edificações para atingir alturas maiores, muitas vezes não possibilitando que se atinja a altura máxima permitida para cada região. Esta estratégia possibilita que se verticalize a cidade, porém sem densificar tanto, mantendo uma melhor habitabilidade nos apartamentos, desta forma garantindo uma insolação e ventilação satisfatórias para cada unidade. Esta teoria advém da antiga teoria miasmática, e do urbanismo moderno, com sua estratégia de liberar o solo para as atividades de lazer.

Esta estratégia é bastante discutida no âmbito urbanístico. A outra visão deste mesmo parâmetro é de que esta abordagem dificulta uma maior densificação dos terrenos, conseqüentemente ofertando menos unidades habitacionais por metro quadrado de terreno. Desta forma, o preço do metro quadrado nas regiões mais centrais sobe, obrigando as pessoas a procurarem zonas mais periféricas para morar, tendo que se investir em mais transporte público, infraestrutura, e forçando um aumento do perímetro urbano da cidade como forma de suprir a demanda populacional existente. A cidade acaba se espraiando mais, e tornando o tempo de deslocamento das pessoas de casa para o trabalho mais longo. A maioria das metrópoles mundiais já aboliram estes conceitos, basta observar Nova York com seus arranha-céus colados uns nos outros, e alinhados nas calçadas.

Outro ponto abordado pela corrente mais atual que defende o urbanismo feito lá fora, é sobre os recuos de jardim (ou recuos de frente), de modo que para eles, ao afastar a edificação da calçada, a mesma torna-se sem vida, tornando o fluxo de pedestres desinteressante e incentivando um maior uso do carro. Isto, somado ao fato de termos que instalar grades e muros como proteção à falta de segurança no ambiente urbano acaba tornando as calçadas locais monótonos e sem atividade. Neste caso, porém, é bom frisar que trata-se de uma solução encontrada para suprir uma falha na segurança pública das cidades, o que acaba ocasionando este “enclausuramento” das edificações perante a malha urbana.

Outra questão que acaba incentivando o uso de veículos automotores é o incentivo que as Prefeituras dão com áreas isentas para estacionamentos nos prédios, exigindo ainda um mínimo de vagas por unidade habitacional, dependendo do padrão do empreendimento. Na maioria das metrópoles mundiais, o incentivo é para que se utilize os transportes públicos, e não individual. Na já referida Nova York, a maioria dos prédios não possui garagens. Ter um veículo nestas cidades acaba sendo muito caro, e inviabilizando o uso deste meio de transporte para a população em geral, o que desafoga o trânsito das mesmas. No Brasil, porém, com o transporte público bastante sobrecarregado, o transporte individual acaba sendo a alternativa encontrada para resolver este problema de deslocamento. Neste caso, mais uma vez, esta estratégia acaba sendo uma adequação a um grande  problema de mobilidade urbana existente na nossa sociedade.

Somado a tudo isto, temos também uma maior procura por parte dos brasileiros por unidades habitacionais mais acessíveis ao seu bolso, não valorizando tanto edifícios com uma boa arquitetura, mais arrojados, que acabam custando um pouco mais, porém tem um valor agregado de serem marcos para suas regiões. Isto se dá por uma questão puramente cultural de não valorização desta forma de arte. E para resolver esta questão, só investindo em educação, que é uma demanda primordial, porém com um retorno a muito longo prazo.

Arq. Maria Eduarda Costa Kwitko
CAU-BR A45256-4


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